CRÍTICA | LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Coreografia
Trilha Sonora
5.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

‘RESGATA A PUREZA DOS ROMANCES DA ERA DE OURO DO CINEMA’

“Um musical original moderno”, foi como o diretor Damien Chazelle convenceu o estúdio a apostar em seu novo filme. Não seria esse um tema chato demais para o público de hoje? Os musicais ainda valem para o cinema ou devem ficar só na Broadway? Pois se depender de La La Land – Cantando Estações,  musicais estão vivos e sendo colocados novamente em alta, trazendo o melhor do cinema dos anos 40, 50 e 60, para o século 21.

Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone) são dois jovens sonhadores tentando a sorte em Los Angeles. Ele, um pianista apaixonado pelo Jazz e todos os seus clássicos, tenta montar um bar para tocar e salvar o gênero do esquecimento. Ela, uma atriz apaixonada por filmes e peças, busca, entre centenas de outras, seu primeiro papel que a leve ao estrelato de Hollywood. A história dos dois é contada com muito Jazz e homenagens aos primeiros musicais do cinema.

Volta com técnicas usadas nos primórdios do cinema e no teatro.

Os clássicos sempre vão ser homenageados pelos amantes do cinema e Damien Chazelle trouxe uma ode aos primeiros musicais, se afastando um pouco das adaptações das obras da Broadway, como Os Miseráveis (2012). Com um excelente trabalho de direção, trouxe planos sequências de sapateados e diversas cenas de dança muito bem coreografados por Mandy Moore. A emocionante história, apesar de usar Hollywood como pano de fundo, é nada mais que um puro e belo Romance do cinema antigo.

Se tratando de um musical, o carro chefe são as belas composições que tem como responsável pela trilha sonora Justin Hurwitz, que já havia trabalhado com o diretor em Whiplash (2014), e traz a predominância do Jazz, assim como em seu filme anterior. Apesar de não ser tão cantado quanto às adaptações da Broadway, as músicas, mesmo instrumentais, são heterogêneas e marcam bem os momentos do filme. É fácil identificar escutando as trilha os momentos referentes a tais músicas. O único momento musical que se possa estranhar e ficar um pouco desconexo é apresentado no início do filme, mas que nada atrapalha o conjunto da obra. Diferente de “Whiplash”, com maior destaque para a bateria, em “La La Land” o piano é mais presente, dando uma leveza maior e aflorando um sentimentalismo nas cenas e sendo menos caricato, uma questão muito criticada pelos fãs de Jazz no filme de 2014. Mesmo a parte instrumental se sobressaindo, as letras, além de belas, tem significado no contexto do filme, como em “City of Stars”, a principal música. Agora, o grande trunfo do longa ficou a cargo das performances do casal de protagonistas.

Planos sequências de sapateados e diversas cenas de dança muito bem coreografados por Mandy Moore.

Emma Stone, que se apresenta como um atriz cada vez mais versátil, tendo trabalhos em comédia (A Casa das Coelhinhas, 2008), ação (O Espetacular Homem-Aranha 2,2014), drama (Histórias Cruzadas, 2011), romance (Magia ao Luar, 2014), animação (Os Croods, 2013) e agora um musical, provavelmente nos entregou seu melhor trabalho. Consegue manter sua marca de ser um tanto engraçada e se afasta do estigma de ser lembrada apenas dos papéis mais caricatos e semelhantes. Consegue manter um bom nível nas coreografias e também emocionar bastante, em especial na sua cena de audição. Ela toma a dianteira de seu parceiro no que diz respeito à voz, já tendo feito participações na Broadway, como em Cabaret, e se mostrando muito confortável cantando.

Ryan Gosling, que já tinha saído do clichê de galã de romances e comédias românticas (A Garota Ideal, 2007), mostra mais uma faceta. Apesar da sua voz não ser seu ponto forte, passa bem em seus momentos de cantor, dividindo esse peso com o lado pianista de seu personagem, que foi dominado pelo ator e realmente aparenta ser um pianista nas horas vagas. A intensidade e paixão que transmite enquanto toca mostram o sentimento de Sebastian pelo Jazz. Gosling mostra, assim como Channing Tatum em Ave, César (2016), dos Irmãos Coen, que também pode fazer sapateado e sustentar uma cena longa de dança como as estrelas do passado.

Romance embalado ao som do Jazz Clássico.

A academia sempre gostou de historias sobre Hollywood e é isso que La La Land – Cantando Estações traz, mas não apenas. Volta com técnicas usadas nos primórdios do cinema e no teatro, de fotografia, por exemplo, isolando o ator na cena com a iluminação, e um estilo que ajudou a transformar a sétima arte no fenômeno que é hoje. A fotografia é simplesmente bela aos olhos. Sua direção de arte e figurino estão impecáveis e nos remete mais uma vez a essência das películas da era de ouro do cinema. O filme faz o que outros grandes, como Titanic (1997), fizeram: colocam a história de amor em primeiro plano e apresenta para um público novo a fonte da qual grandes estrelas do cinema beberam, os clássicos de Fred Astaire , Ginger Rogers e outros.

La La Land – Cantando Estações é um filme que resgata a pureza dos romances da era de ouro do cinema e ainda de quebra é um culto ao Jazz clássico. Nos faz sorrir, relaxar e absorver todos os sentimentos entrelaçados em cada cena. Chega como grande favorito às premiações, busca encantar tanto a academia como o público e já em seu lançamento é considerado um clássico moderno.

Ficha Técnica


LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (La La Land)
Distribuidor: Paris Filmes
Gênero: Comédia, Musical, Romance
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  12 de janeiro de 2017
Tempo de Duração: 2 h e 08 minutos
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Produção: Fred Berger, Jordan Horowitz, Gary Gilbert, Marc Platt (II), John Legend, Jasmine McGlade
Diretor de fotografia: Linus Sandgren
Cenografista: David Wasco

Elenco: Ryan Gosling (Sebastian), Emma Stone (Mia), John Legend (Keith), J.K. Simmons (Bill), Rosemarie DeWitt (Laura), Finn Wittrock (Greg), Callie Hernandez (Lisa), Jessica Rothe (Alexis).

Sinopse:

Ao chegar em Los Angeles o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam perdidamente. Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso.

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