CRÍTICA | ESTRELAS ALÉM DO TEMPO
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‘CELEBRAÇÃO À GARRA DE TODAS AS MULHERES’

A corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética na Guerra Fria, foi uma das mais importantes batalhas já ocorrida no século passado. Acabou por levar o homem a Lua e confirmou a supremacia da América em relação a outras nações e ao próprio território soviético. Foi a primeira derrota sofrida pelo governo comunista à época, sendo contada durante todo esse tempo pelos meios de comunicação e arte, principalmente por Hollywood.

Todas as produções em que abordam o tal feito até hoje, relatam apenas uma América superior com grande esforço por parte dos envolvidos e dos órgãos responsáveis, especialmente da NASA e de seus empregados, na sua maioria homens e brancos. Mesmo lidando com uma onda de profunda cisão racial no país.

A história aborda o preconceito racial e de gênero na Nasa

Depois de mais de 40 anos, essa história finalmente está sendo exposta de uma forma diferente para o grande público, com todas as virtudes, mas também os problemas, complexidades e erros no qual os Estados Unidos foram submetidos. Esse é o exemplo do novo filme do diretor Theodore Melfi (Um Santo Vizinho e Amor por Acaso), batizado de  Estrelas do Tempo. Baseado no livro da escritora Margot Lee Shetterly, denominado “Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win the Space Race”, a produção, que se passa no ano de 1961, apresenta a história verídica de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três amigas negras, que trabalhavam na NASA e ajudaram efetivamente o sucesso do projeto espacial em levar o homem à Lua, sofrendo todo o tipo de limitação e exclusão que o preconceito racial impõe, provando a cada minuto o talento que tinham e a qualidade de seu trabalho,  buscando sempre uma ascensão na hierarquia da empresa.

Tinha tudo para ser um filme pesado, com foco nas atrocidades sofridas pelos negros e na sua suposta inferioridade em relação ao branco. Mas a direção de Theodore, nos leva a olhar para um outro lado, a igualdade de gênero e um preconceito sem fundamento. Com cenas simples, a direção usou recursos já conhecidos para contar uma história existente. Recortes, fotos e entrevistas reais da época comprovam a veracidade dos fatos, assim como fotos espaciais da NASA.

O roteiro ajuda com essa nova perspectiva, totalmente fiel ao livro e a sua história.

O roteiro ajuda com essa nova perspectiva, totalmente fiel ao livro e a sua história, que tem seu foco na vida particular e profissional das personagens, enfatizando bastante nas cenas na qual o preconceito racial é evidente, com acontecimentos comuns da época e piadas com um humor negro, ridicularizando o preconceito sofrido. Tudo de maneira sutil e engraçada, sem carregar no drama e sem fugir do assunto principal.Essa sutileza e beleza do roteiro, em partes, se deve ao grande talento dos atores envolvidos.

Na sua maioria negra, os atores entregam o melhor de suas atuações para compor os personagens e seus embates. Uma ressalva para o trabalho de Janelle Monáe (Moonlight: Sob a Luz do Luar), que em seu segundo filme, acompanha o ritmo dos demais, carregando a leveza nas costas. Além de Janelle, também temos a participação de Taraji P. Henson (O Intruso e Pense como Eles), brilhando como a personagem principal, assim como Octavia Spencer (Histórias Cruzadas e Tempo de Matar), fechando com os seu talento o triangulo principal. Dentre os atores brancos, estão Kristen Dunst (Homem Aranha e Melancolia), que contraria as expectativas e amarga um papel sem expressão e relevância, com poucos diálogos e importância para o enredo. Já atuação de Kevin Costner mais que convence, impecável e admirável, dando o ritmo rápido da produção e atraindo toda a atenção do público.

Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe brilham em Estrelas Além do Tempo.

Finalizando o conjunto da obra, temos a trilha sonora de responsabilidade de Pharell Williams (“Happy” – Meu Malvado Favorito), famoso cantor e compositor americano, com a produção musical do alemão Hans Zimmer. Como os outros aspectos do filme, contribui para o desenrolar da história, com um estilo nascido nas igrejas protestantes da época, bem típico da população negra, e bem parecido com o estilo que Pharell Wiliams já faz na sua carreira.

Estrelas Além do Tempo é uma celebração à garra de todas as mulheres, uma denúncia ao machismo e ao preconceito racial, aainda muito presente na sociedade, principalmente americana. Assunto polêmico, tratado com leveza e de forma linda, sem deixar de contar a história real. Uma lição de que não importa a minoria no qual você pertença, seu trabalho e seu esforço serão recompensados, construindo o caminho que bem desejar. Uma ótima  dica para quem quer entender um pouco mais sobre esse período complicado e seus desfechos e conhecer a história dessas três mulheres devidamente reconhecidas pelo seu trabalho e  condecoradas no seu país.

Ficha Técnica


ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures)
Distribuidor: Fox Film do Brasil
Gênero: Drama, Biografia
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  02 de fevereiro de 2017
Tempo de Duração: 2 h e 07 minutos
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Theodore Melfi
Produção: Theodore Melfi, Pharrell Williams, Peter Chernin, Kimberly Quinn
Diretor de Fotografia: Mandy Walker
Diretor de Arte: Jeremy Woolsey
Trilha Sonora: Pharrell Williams

Elenco: Taraji P. Henson (Katherine Johnson), Octavia Spencer (Dorothy Vaughn), Kevin Costner (Al Harrison), Kirsten Dunst (Vivian Michael), Aldis Hodge (Levi Jackson), Jim Parsons (Paul Stafford), Mahershala Ali (Jim Johnson).

Sinopse:

1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

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