“ATÉ EU SEI O QUE É CERTO OU ERRADO. TENHO MEUS VALORES”

A frase, proferida por um psicopata logo no início da trama, já introduz um dos temas principais de Creepy: a discussão da moralidade. Afinal, até que ponto as pessoas, enquanto indivíduos, estão de acordo com o que é considerado moral ou amoral para a grande maioria?

Além da moralidade, o longa aborda outras questões comuns aos filmes do diretor e roteirista veterano Kiyoshi Kurosama (Cure e Pulse). Especialista em thrillers psicológicos, Kurosama faz uso frequente de personagens perturbadores, com grande capacidade de manipular os outros. É o caso de Cure (1997), onde um policial investiga uma série de assassinatos padronizados, cometidos por pessoas comuns, e sem nenhum antecedente criminal.

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Clima de tensão e medo é bem construído

Em Creepy, o ex-detetive Takakura (Hidetoshi Nishijima) leva uma vida rotineira como professor de uma universidade, até que se vê envolvido com a investigação do desaparecimento de uma família que deixou apenas a filha adolescente para trás. Enquanto isso, sua mulher Yasuko (Yuko Takeuchi) lida com os novos vizinhos, o excêntrico Sr. Nishino (Teruyuki Kagawa) e sua filha Mio (Ryoko Fujino). A princípio, os dois núcleos parecem totalmente independentes um do outro, mas logo Takakura percebe que pode existir uma ligação.

O clima de tensão e medo é bem construído, sem pressa alguma. A câmera acompanha os personagens e detalha os cenários, ajudando a criar a atmosfera do longa, assim como a fotografia. A excelente trilha sonora de Yuri Habuka só contribui, surgindo nos momentos certos e preparando o espectador para o que está por vir.

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Terror de Creepy vem puramente do psicológico

O roteiro jamais apela para o sobrenatural. O terror de Creepy vem puramente do psicológico, de sua capacidade de explorar a fragilidade da psique humana em seu máximo. Yasuko é a maior representação disso, entregando uma personagem vulnerável e insegura desde o princípio. Já Teruyuki Kagawa está arrepiante em seu papel como o vizinho camaleão, que muda a sua forma de agir de uma hora para a outra, dependendo de seus interesses.

A escolha do elenco e a boa construção dos personagens – cada um tem uma personalidade interessante e bem desenvolvida, compensa os furos no roteiro, que passa por cima de diversos detalhes que poderiam fazer a diferença. Outro ponto incômodo é a falta de inteligência que os personagens demonstram em alguns momentos, afinal, quem vai a um local de perigo sozinho(a) e desarmado(a)?

Tais detalhes, porém, não tiram os méritos de Creepy como um bom thriller policial. O fato da trama não tratar de algo sobrenatural, e sim de uma situação bizarra, mas perfeitamente plausível, só ajuda a tornar o longa ainda mais perturbador.

Ficha Técnica

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CREEPY 
Distribuidor/ Produtora: Zeta Filmes
Gênero: Suspense, Thriller
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento: 17 de Novembro 2016
Tempo de Duração: 2h 10min
Direção: Kiyoshi Kurosawa
Roteiro: Kiyoshi Kurosawa
Fotografia: Kiyoshi Kurosawa
Montagem: Kiyoshi Kurosawa
Trilha Sonora: Yuri Habuka

Elenco: Yuko Takeuchi (Takakura), Hidetoshi Nishijima (Yasuko), Teruyuki Kagawa (Nishino), Masahiro Higashide (Nogami)

Sinopse:

Takakura (Hidetoshi Nishijima) é um ex-detetive. Chamado por um antigo colega, Nogami (Masahiro Higashide), ele passa a investigar o caso de uma família desaparecida há seis anos. Takakura acompanha as memórias de Saki (Haruna Kawaguchi), a única sobrevivente da família. Enquanto isso, o detetive e sua esposa recentemente se mudaram. Seu novo vizinho, Nishino (Teruyuki Kagawa), tem uma mulher doente e uma filha adolescente, Mio. Porém, um dia, Mio confessa a Takakura que o homem não é o seu pai e que ela não o conhece.

CRÍTICA | CREEPY
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha Sonora
4.4Pontuação geral
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