CRÍTICA | COLOSSAL
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‘O TRUNFO DE VIGALONDO É JUSTAMENTE APOSTAR NA ORIGINALIDADE’

Todos nós precisamos lidar com nossos “demônios” de vez em quando, embora algumas pessoas tenham mais facilidade para controlá-los do que outras. Em Colossal, o diretor e roteirista Nacho Vigalondo (Extraterrestre, 2011) traz essa metáfora para o literal ao representar os conflitos internos da protagonista através de um kaiju, uma besta reptiliana gigante que assola a cidade de Seoul.

Anne Hathaway (Os Miseráveis, 2012) é Glória, uma jovem escritora desempregada que encontra no álcool uma escapatória para suas frustrações. Ao ser expulsa do apartamento que divide com o namorado (Dan Stevens – A Bela e a Fera, 2017), ela se vê sem alternativas e retorna para sua cidade natal, onde seus pais mantém uma casa desocupada. Lá, Glória reencontra Oscar (Jason Sudeikis – Quero Matar Meu Chefe, 2011), um ex-colega de escola que se oferece para ajudá-la lhe dando um emprego de meio período em seu bar. Até então temos mais um candidato a drama com um toque de comédia romântica.

No papel da conturbada Glória, Hathaway está excelente.

A trama, porém, foge da mesmice quando noticiários do mundo inteiro anunciam o surgimento de um monstro gigantesco que aparece na capital sul coreana  em um horário específico. Logo, Glória percebe um estranho elo com a criatura, que parece sempre reproduzir seus movimentos, incluindo os tiques mais característicos. A premissa bizarra poderia tornar o longa um completo desastre. No entanto, não é o que acontece. O trunfo de Vigalondo é justamente apostar na originalidade, trazendo uma nova forma de retratar como lidamos com nosso psicológico e as consequências de nossos atos. O roteiro é engenhoso, e utiliza um humor ácido e atual como válvula de escape para o tema complexo.

É claro que, sem o elenco certo, a história completamente “fora da caixinha” não funcionaria. No papel da conturbada Glória, Hathaway está excelente. Tem timing para as piadas e momentos cômicos, sem jamais perder a profundidade da personagem que procura se ajustar na vida. Jason Sudeikis a complementa bem, representando um personagem imprevisível que, como ela, tem sua própria criatura – no caso, um robô gigante. É uma pena que a mudança na personalidade de Oscar seja tão brusca, trazendo à tona um relacionamento abusivo que parece deslocado.

O roteiro utiliza um humor ácido e atual como válvula de escape para o tema complexo.

O mesmo ocorre com a explicação para a conexão entre os personagens e as criaturas gigantes, em um flashback desnecessário que resulta em uma justificativa um tanto infantil.  Tecnicamente o longa não falha, combinando fotografia, montagem e trilha sonora para reforçar o estado caótico em que a vida e a mente de Glória se encontram. As sequências de ataque a Seoul são breves, mas os efeitos especiais cumprem seu objetivo.

Afinal, Colossal não é um filme sobre monstros gigantes ou cidades destruídas. Trata-se de uma história sobre dominar demônios interiores, aprender a arcar com responsabilidades e, principalmente, assumir o controle da própria vida.

Ficha Técnica


COLOSSAL
Distribuidor: Paris Filmes
Gênero: Drama, Ficção científica, Comédia
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  15 de Junho de 2017 (Brasil)
Tempo de Duração: 1h e 30 minutos
Direção: Nacho Vigalondo
Roteiro: Nacho Vigalondo
Produção: Nicolas Chartier, Zev Foreman, Dominic Rustam, Nahikari Ipiña, Shawn Williamson

Elenco: Anne Hathaway (Glória), Jason Sudeikis (Oscar), Dan Stevens (Tim), Austin Stowell (Joel), Tim Blake Nelson (Garth)

Sinopse: Gloria (Anne Hathaway) deixa Nova York e volta para sua cidade natal após perder o emprego e o noivo. Ao acompanhar as notícias sobre o ataque de um lagarto gigante a Tóquio, ela descobre que está misteriosamente conectada mentalmente ao evento. Para evitar novos casos parecidos e uma eventual destruição total do planeta, Gloria precisa controlar os poderes de sua mente e entender por que sua existência aparentemente insignificante tem tamanha responsabilidade no destino do mundo.

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