CRÍTICA | CAPITÃO FANTÁSTICO
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‘ERRAR É HUMANO’

Antes mesmo de entender o quão estranho um homem pode se tornar, é preciso entender que seres humanos tem a necessidade de viver em bando. Se no tempo das cavernas era questão de sobrevivência, hoje em dia é uma mera questão psicossocial. Em Capitão Fantástico, Ben Cash (Viggo Mortensen, o Aragorn da trilogia O Senhor dos Anéis) tenta orquestrar seu bando, ou melhor: seus seis filhos, educando-os e treinando-os na floresta em uma mistura de militarismo com estilo de vida hippie, enquanto sua esposa tenta se recuperar na cidade grande.

A ideia pareceu genial para o casal jovem que se uniu na tentativa de transformar seu microcosmo na contracultura do capitalismo e os defeitos/efeitos subjacentes. Por exemplo, num inevitável choque com a cultura estética fora da floresta, uma das crianças se pergunta se todas aquelas pessoas estão doentes, afinal, eram todos obesos como hipopótamos. Ao mesmo tempo, um mundo resumido em oito pessoas consanguíneas pode se tornar completamente sufocante e, quem sabe, limitante e revoltante: é a imagem de prisão familiar, qualquer uma, se torna na evolução pessoal de qualquer pessoa, seja ela hippie ou careta. É a partir da crítica social (seja qual sociedade for), do humor da intimidade e da estranheza do choque cultural que o diretor e roteirista Matt Ross (28 Hotel Rooms) garante sua produção mais significativa até o momento por trás das câmeras.

Delicadeza da formação e da interação unidas à importância e ao amor entre pais e filhos é sensivelmente interpretado por Mortensen

A delicadeza da formação e da interação unidas à importância e ao amor entre pais e filhos é sensivelmente interpretado por Mortensen e ressaltado com falas sarcásticas e bem pensadas pelo diretor/roteirista. É competência em todos os sentidos e, no caso do filme, metalinguisticamente falando. Ao encarnar a dureza da vida sem a esposa e tantas vidas em suas mãos, o nosso capitão vive à beira da condenação constante: a importância do bom ator está exatamente aqui, bem onde a dureza sentimental e o abalo da mesma se encontram. O diretor, por sua vez, auxilia crianças com tendência a irritar o público a se tornarem adoráveis criaturas produzidas na floresta e, no choque cultural, exibe os demais personagens especialmente irritantes – mas no bom sentido.

Para que tudo isso acontecesse, o roteiro precisava estar afiado em seu desenvolvimento e esteve até tentar apelar para clichês norte-americanos requentados. Um aparente medo de desagradar ou uma tentativa de comédia mais aceitável ao grande público. Em certo momento, o filme perde o fôlego e recorre ao exagero antes do tempo. As viradas mirabolantes se perdem e a emoção fica dissipada no amontoado de acontecimentos.

Seis filhos educandos e treinandos na floresta em uma mistura de militarismo com estilo de vida hippie

De certa forma, a trilha sonora dá tons de filme indie, um gostinho de Onde Vivem os Monstros (2009) com as obras mais intimistas de Diablo Code.  Funciona e adere profundidade aos momentos familiares, assim como a fotografia faz durante certo tempo até, novamente, cair na Hollywood comercial, mais palatável. Para um filme com um diretor e roteirista em comum, faltou coesão entre o primeiro, o segundo e o terceiro ato, como obras saídas de histórias completamente diferentes e sem uma evolução real entre elas. Um choque que tentou ser proposital e não deu certo. Vale lembrar o recente bem-sucedido Pequena Miss Sunshine (2006), que conversa com Capitão Fantástico em seus temas.

É interessante que haja o contraponto à experiência que parece inicialmente maravilhosa na teoria e na prática, porém a questão, tanto nas falhas do próprio filme, como na vida experiência pela família Cash, é o equilíbrio e, mais profundamente, o significado de ser e fazer o que é imposto ou escolhido. Vale a reflexão, o humor e a boa iniciativa.

Ficha Técnica

CAPITÃO FANTÁSTICO (Captain Fantastic)
Distribuidor: Universal Pictures
Gênero: Comédia Daramática
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento:  22 de dezembro de 2016
Tempo de Duração: 1h e 58 minutos
Direção: Matt Ross
Roteiro: Matt Ross
Produção: Jamie Patricof, Lynette Howell, Samantha Housman
Montagem: Joseph Krings

Elenco: Viggo Mortensen  (Ben), Frank Langella (Jack), George Mackay (Bo), Samantha Isler (Kielyr), Annalise Basso (Vespyr), Nicholas Hamilton (Rellian), Shree Crooks (Zaja), Charlie Shotwell (Nai).

Sinopse:

Ainda criança, Jyn Erso (Felicity Jones) foi afastada de seu pai, Galen (Mads Mikkelsen), devido à exigência do diretor Krennic (Ben Mendelsohn) que ele trabalhasse na construção da arma mais poderosa do Império, a Estrela da Morte. Criada por Saw Gerrera (Forest Whitaker), ela teve que aprender a sobreviver por conta própria ao completar 16 anos. Já adulta, Jyn é resgatada da prisão pela Aliança Rebelde, que deseja ter acesso a uma mensagem enviada por seu pai a Gerrera. Com a promessa de liberdade ao término da missão, ela aceita trabalhar ao lado do capitão Cassian Andor (Diego Luna) e do robô K-2SO.

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