Big Jato conserva algumas das características dos filmes de Cláudio Assis, como a sexualidade e a violência

A busca pela liberdade, a necessidade de tomar as próprias decisões, os conflitos familiares e a dura realidade da vida contrastando com a poesia. O roteiro de Big Jato é reflexivo e cheio de críticas à sociedade hipócrita e julgadora na qual vivemos, mas aborda o tema de uma maneira muito mais leve do que os filmes anteriores de Cláudio Assis (Amarelo Manga; Febre do Rato). O polêmico diretor, que chegou a ser vaiado durante o FestBrasília, onde Big Jato foi exibido, baseou o roteiro do longa no livro de mesmo nome, escrito por Xico Sá.

O filme apresenta parte da infância e adolescência de Francisco Filho (Rafael Nicácio), ou Chico, como é mais conhecido na cidade, e mostra um período de grandes descobertas e importantes decisões na vida do rapaz, desde a primeira paixão a que carreira seguir. Nascido em uma pequena cidade do sertão, Chico ajuda o pai no trabalho como limpador de fossas com o caminhão que dá título ao filme, e deseja se tornar poeta. O pai, no entanto, quer que os filhos se tornem matemáticos, alegando que esta é a única saída para uma vida melhor, e não esconde o desprezo que sente pela poesia.

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O filme, porém, não é apenas do jovem Chico. Francisco pai, maravilhosamente interpretado por Matheus Nachtergaele, é um homem frustrado com a vida e o trabalho, e encontra no rádio e em seus velhos discos de vinil uma válvula de escape. Nachtergaele ainda interpreta Nelson, irmão de Francisco, que leva uma vida de boemia e comanda a rádio da cidade, além de incentivar o sobrinho a buscar seus sonhos como poeta e sair da cidade. Já a mãe (Marcélia Cartaxo) é uma mulher dividida entre as obrigações (e frustrações) familiares e o desejo de montar um pequeno negócio.

O Príncipe (Jards Macalé) é outro personagem interessante. Como a personificação da loucura, é ele quem traz a maior parte da poesia ao filme, conversando com o expectador em alguns momentos e guiando Chico em sua jornada, sempre pontuando as histórias com seu romance sofrido e impossível.

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A própria estética de Big Jato é mais leve do que a dos outros filmes de Cláudio Assis. Embora em alguns momentos a fotografia de Marcelo Durito mostre imagens ligeiramente embaçadas e tremidas (durante a sequência inicial, onde somos apresentados a Chico e seu pai, a câmera balança como se acompanhássemos os personagens de dentro de um caminhão em movimento), a sensação de incomodo e estranheza é pouca. As cores são, em geral, quentes, e as panorâmicas frequentes condizem com os momentos de reflexão do protagonista.

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Apesar da temática mais leve, mostrando a inocência e a fértil imaginação de um garoto que deseja se tornar poeta, Big Jato conserva algumas das características dos filmes de Cláudio Assis, como a sexualidade e a violência. Francisco pai, por exemplo, representa o machismo como o chefe de família que não deve ser contestado.

Mesmo com as vaias ao diretor, o longa cheio de metáforas e momentos de reflexão saiu do  FestBrasília com cinco prêmios, dentre eles o de Melhor Ator para Matheus Nachtergaele, e o de Melhor Filme. Ao que parece, a recepção negativa no festival não se estendeu a Big Jato.

Ficha Técnica

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BIG JATO
Distribuidor/Produtora:  ArtHouse
Gênero: Drama
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento: 9 de Junho de 2016
Tempo de Duração: 1h 33 min
Direção: Cláudio Assis
Roteiro: Hilton Lacerda, Ana Carolina Francisco
Produtores: Bárbara Isabella Rocha, Marcello Ludwig Maia, Stella Zimmerman
Direção de Arte: Ananias de Caldas
Montadora: Karen Harley
Diretor de Fotografia: Marcelo Durst
Engenheiro de Som: Miriam Biderman
Elenco: Matheus Nachtergaele (Francisco pai, Nelson); Marcélia Cartaxo, Rafael Nicácio (Francisco Filho); Jards Macalé (Príncipe).

Sinopse
Dividido entre o pai, um limpador de fossas frustrado, e o tio, um boêmio que desvaloriza o trabalho, o jovem Chico se vê em um caminho no qual tem que tomar as próprias decisões. Apaixonado por poesia, ele vive entre a dura realidade do sertão e do trabalho do pai, e suas próprias fantasias e experiências.

Crítica | Big Jato
Roteiro
Direção
Elenco
Fotografia
Direção de Arte
Pontos Positivos
  • Roteiro Reflexivo
  • Matheus Nachtergaele
Ponto Negativo
  • Piadas Escatológicas Excessivas
4.5Pontuação geral
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