‘ESTÉTICA BEM FEITA E QUE LEMBRA MAIS FILMES DE FESTIVAIS’

Cada vez mais animações vêm apostando em temas que são tanto para o público infantil quanto para o público adulto. A Pixar se destaca nesse trabalho com Toy Story 3 (2010) e Divertida Mente (2015), por exemplo. Mas, isso não é visto somente com bons olhos, muitas críticas temem que os temas fiquem muito adultos e deixem de ser filmes apropriados para crianças.

As Aventuras de Robinson Crusoé é sobre um naufrágio em que Crusoé sobrevive e acaba sozinho em uma ilha, a mesma história básica do personagem que já foi contada em outras oportunidades. Porém, essa ilha é habitada por alguns animais que temem o humano de primeira, mas se tornam amigos e coabitam a ilha. Os problemas enfrentados pelos heróis são gatos, que estavam a bordo no navio naufragado, que querem controlar a ilha e matar os animais.

Ideia de fazer um Crusoé estabanado e desengonçado parece divertida, porém faltaram elementos para que se criasse mais empatia

A animação traz um estilo e temática inteiramente infantil. Apesar do nome de Robinson Crusoé estar no título, os personagens principais são os animais que o cercam, o quê é um recurso muito usado por filmes para crianças e principalmente em animações.

Mesmo sendo uma história para crianças, o roteirista Domonic Paris (A Mansão Mágica, 2013) não se arriscou e não trouxe nada de novo ou interessante quanto aos acontecimentos. Os personagens também deixam a desejar apesar dos detalhes visuais. A personalidade de cada um é genérica e não cria conexão com o público, seja infantil, jovem ou adulto.

Mal explorados e quase descartados em alguns momentos, os animais não criam conexão com o público infantil

A ideia de fazer um Crusoé estabanado e desengonçado parece divertida, porém faltaram elementos para que se criasse mais empatia com ele e seus amigos bichos, que são esquecíveis e facilmente trocáveis. Mal explorados e quase descartados em alguns momentos, os animais  que deveriam ser a conexão com as crianças e serem o apelo infantil, são na verdade desperdícios de roteiro.

O filme é de origem belga e francesa e talvez por isso tenha uma linguagem diferente das animações americanas que o grande público está acostumado. Porém, de qualidade visual, não deve nada as mais populares, detalhes como pelos desgrenhados, madeira gasta e textura dos materiais estão presentes e se destacam.

Com uma estética bem feita e que lembra mais filmes de festivais do que aos de grande público, As Aventuras de Robinson Crusoé é uma opção para os responsáveis que querem levar suas crianças para o cinema, mas não tem opções dentre os dramas e comédias mais adultas. Mas, não é um filme que traga uma história ou personagens que cativem e passaria despercebido como uma animação para TV.

Ficha Técnica

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AS AVENTURAS DE ROBINSON CRUSOÉ (Robinson Crusoe)
Distribuidor/ Produtora: Imagens Filmes
Gênero: Animação, Família, Aventura
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento: 1 de Dezembro de 2016
Tempo de Duração: 1h 30min
Direção: Vincent Kesteloot
Roteiro: Domonic Paris
Produção: Ben Stassen, Caroline Van Iseghem, Domonic Paris, Gina Gallo, Mimi Maynard
Diretor de Arte: Vincent Kesteloot
Trilha Sonora: Ramin Djawadi

Elenco: Matthias Schweighöfer (Robinson Crusoe), Aylin Tezel (Stachelschwein Epi), Joey Camen (Scrubby), Yuri Lowenthal (Crusoe), David Howard (Tuesday)

Sinopse:

Em uma pequena e exótica ilha, Tuesday, um papagaio pensa que viver naquele paraíso é muito pouco para ele – e está amadurecendo seu desejo de conhecer o mundo. Depois de uma violenta tempestade, a ilha recebe um refugiado: Robinson Crusoe. O que começa com um jogo de interesses, já que o pássaro vê no rapaz um bilhete para fora da ilha, e o rapaz, em Tuesday, uma forma de sobreviver naquele lugar, vai se desenvolver para uma profunda relação de amizade e companheirismo – que vai ensinar aos dois o poder da parceria.

CRÍTICA | AS AVENTURAS DE ROBINSON CRUSOÉ
Direção
Roteiro
Dublagem
Fotografia
Trilha Sonora
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