CRÍTICA | A VIGILANTE DO AMANHÃ: GHOST IN THE SHELL
Direção
Roteiro
Enredo
Elenco
Efeitos Visuais
Fotografia
4.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘CENÁRIO CYBERPUNK E SUPERFICIAL DE UM JAPÃO DISTÓPICO, MAS TEMPORAL’

A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell (Ghost In The Shell) poderia ter passado simplesmente por mais uma adaptação de anime para as telonas – e não era pra menos; a trama junta um clássico protagonista forte, governo, um mundo distópico e um vilão misterioso e letal. O live-action, inicialmente da Disney, congelou na Casa das Ideias, e a Paramount Pictures se encarregou posteriormente em levá-lo adiante. Ainda assim, Ghost In The Shell continuava sem um diferencial relevante nos cinemas.

O jeito foi dar enfoque em outros aspectos além do básico “b-a-ba” de gênero de ação, e o diretor Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador, 2012) explora com qualidade o embate, acima de tudo, de humanos contra a tecnologia. A escolha da grande atriz que vive o papel central da história já surpreende. Scarllet Johansson (Vingadores, 2012) logo chama tanto para si como para o até então produto comum japonês a força e a singularidade de Mira Major, principal soldado da Seção 9, órgão que protege o país contra ataques cibernéticos e hackers. Johansson, ao mesmo tempo em que combate um antagonismo que representa o egoísmo do capitalismo num futuro – mas nem tanto – mundo dominado pelas máquinas, parece determinada em mostrar como a dependência da tecnologia pode afetar nossa definição enquanto humano.

Rupert Sanders faz de tudo em Ghost in the Shell para valorizar a atuação de Johansson.

 Rupert Sanders faz de tudo em Ghost in the Shell para valorizar a atuação de Johansson. Mesmo que na maioria das vezes seus traços pareçam robóticos – somente a mente dela é humana -, em cada close suas feições mostram sentimentos. A dureza do soldado robotizado sempre entra em conflito com o sentimentalismo da personagem, e faz do arco principal mais pessoal. Sanders busca enquadrar a atriz em planos que contrasta com o cenário cyberpunk e superficial de um Japão distópico, mas temporal – os comerciais em hologramas na cidade parecem uma evolução dos telões cada vez mais reais das cidades.

O figurino e a cultura japonesa também são bem caracterizados no filme, exibidos numa fotografia colorida em grandes planos abertos – como tanto a parte mais periférica da cidade é acertada. A experiência visual é destaque nas cenas de ação bem coreografadas e exageradas – eles são super-soldados, não queremos realismo. O slow motion funciona tão bem com o 3D, que a cada vôo de metros dos capangas ou da própria Major é lindo.

Fotografia colorida em grandes planos abertos.

A trama que serve como pano de fundo não faz feio. Os personagens secundários são bem introduzidos e desenvolvidos. Mesmo sem revelar muito, dá para fisgar o que cada personagem está fazendo ali. No final do segundo ato, o filme correu um pouco para dar sentido ao último ponto de virada, mas não incomoda. O hacker Kuze  (Michael Pitt, Hannibal), mesmo participando pouco diretamente, pode ter dado um futuro à história – dependendo da recepção. Um plus interessante que o roteiro deixa é uma boa reflexão acerca dos limites da tecnologia e seu uso no aprimoramento humano. Aliás, o trans-humanismo é um assunto que a cada dia que passa vem sendo pauta para discussões em todo mundo.

A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell encontra seu diferencial na acertada escolha do elenco. Scarlett Johansson já provou que consegue fazer muito bem tanto personagens complexos de Woody Allen como uma ciborgue em ação. Rupert Sanders também mostra que sabe manusear uma câmera e fazer um bom thriller de ação que prende do início ao fim. A Vigilante do Amanhã é um filme redondinho que cumpre sua proposta. E seria só mais uma adaptação de anime.

Ficha Técnica


A VIGILANTE DO AMANHÃ: GHOST IN THE SHELL (Ghost In The Shell)
Distribuidor: Paramount Pictures
Gênero: Ação, Ficção Científica
Classificação etária: 14 anos
Data de Lançamento: 30 de Março de 2017
Tempo de Duração: 1h 47min
Direção: Rupert Sanders
Roteirista: William Wheeler, Ehren Kruger, Masamune Shirow
Trilha Sonora: Clint Mansell
Produção: Avi Arad
Montadora Chefe: Billy Rich

Elenco: Scarlett Johansson (Major Motoko Kusanagi), Pilou Asbæk  (Batou), Takeshi Kitano (Daisuke Aramaki), Juliette Binoche (Dr. Ouelet), Michael Pitt (Kuze), Chin Han (Togusa), Peter Ferdinando (Cutter), Rila Fukushima (Red Robed Geisha).

Sinopse:
Num mundo pós 2029, cérebros se fundem facilmente a computadores e a tecnologia está em todos os lugares. Motoko Kusanagi, conhecida como Major, é uma ciborgue com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

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